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Eternamente Amado

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Jorge Amado surgiu na minha vida na sétima série (atual oitava?), porque Capitães da Areia ia ser o tema da última avaliação na escola. Não sei até hoje o que me fez realmente ler esse livro, já que eu raramente lia nessa época. Porém quatro dias antes da prova encontrei um exemplar antigo na casa do meu avô e resolvi folhear o livro.

Quando fui para escola no dia do exame final eu já conhecia a história de cor, eu tinha virado as últimas noites debruçada nas páginas do livro, li a obra inteira duas vezes e ainda consegui voltar para poder apreciar de novo minhas partes favoritas. Foi meu primeiro dez (na vida).

Depois desse dia passei a me interessar mais pela aula de literatura, demorei um tempo para me acostumar com a idéia de realmente gostar dos livros. Por isso, tinha o péssimo hábito de dividir o número mínimo de páginas que eu precisaria ler por dia, a fim de manter a nota alta na matéria. Mas raramente eu seguia meus próprios cálculos, até porque números nunca foram meu forte, então, eu acabava lendo muito mais do que o julgado necessário e chegava ao fim da história semanas antes da data prevista.

Anos depois, já leitora assídua, Carlos Ruiz Zafón explicou com maestria em seu A Sombra do Vento o que a leitura de Capitães foi para mim:

“Certa ocasião ouvi um cliente habitual da livraria de meu pai comentar que poucas coisas marcam tanto um leitor como o primeiro livro que realmente abre caminho ao seu coração. As primeiras imagens, o eco dessas palavras que pensamos ter deixado para trás, nos acompanham por toda a vida e esculpem um palácio em nossa memória ao qual mais cedo ou mais tarde não importa o livro que leiamos, os mundos que descubramos, o quanto aprendemos ou nos esqueçamos, iremos retornar.”

Então quero saber qual foi o livro que abriu caminhos para os vossos corações?