Arquivo da categoria: Livros

Amor e Cromossomos

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Ah, o amor!

Aprendemos desde cedo que o amor supera tudo. No começo descobrimos que foi esse sentimento que fez com que a Bela superasse a questão bestial da fera e tornasse a vida humana de novo. A Jasmine e o Aladdin venceram o problema econômico, assim como a Cinderela. Além disso, vários outros filmes ao longo da nossa vida nos mostraram que o amor tudo pode. E amar dessa forma parece realmente incrível, não?

Só que chega a maturidade, bem como a idade adulta, e nós percebemos que a vida não é uma comédia romântica e ficamos um pouco decepcionados com isso (principalmente com o fato de não termos uma trilha sonora ao fundo). Mas continuamos a ver filmes e a ler livros do gênero — bom, pelo menos eu gosto — por algum motivo que não sei explicar. Além disso, se a história for muito boa ainda tem a maldita ressaca literária. Enfim, o ponto que quero chegar é: na comédia romântica o amor supera tudo, mas até que ponto levar essa premissa para assuntos mais sérios é legal e em que momento passa a ser leviano?

“As pesquisas mostram sempre que os riscos do consumo de álcool para a saúde superam os benefícios. Meu argumento é que os benefícios para a saúde mental justificam os riscos.”

Em seu livro O Projeto Rosie, Graeme Simsion cria um personagem com problemas sociais e o torna o alívio cômico principal da história. Mas o que não é dito em nenhum momento é que Don Tillman tem Síndrome de Asperger e por isso a socialização é tão difícil para ele. Apesar de não falar isso com todas as palavras, a questão do autismo fica óbvia em vários momentos do livro, inclusive (e até principalmente) após o próprio personagem ter ministrado uma palestra sobre o assunto.

Justamente por ter tanta dificuldade de se relacionar com outras pessoas que Don só tem dois amigos, apesar de em algum momento já ter tido quatro. É por isso também que ele criou o Projeto Esposa, um questionário, possível de ser respondido presencialmente ou online, que irá eliminar qualquer parceira que não esteja apta a se relacionar com ele. Assim, Don conseguirá driblar sua dificuldade de sociabilização e irá interagir somente com as mulheres que se encaixam em seu perfil.

No entanto, independentemente de qualquer pergunta feita previamente, Rosie surge na vida de Don e ela passa a ser a 3 amiga do personagem. Um objetivo em comum os une e à medida que as interações entre os dois aumentam, fica cada vez mais fácil para ele se relacionar com ela. O final é previsível e todo mundo aqui já sabe, até porque o título já entrega isso de bandeja na capa.

“As pessoas podem falar sobre as supostas características de um geminiano ou taurino e passar cinco dias assistindo a uma partida de críquete, mas não conseguem encontrar nem interesse nem tempo para aprender o básico sobre aquilo do qual nós, seres humanos, somos feitos.”

O texto é divertido e bem agradável de ler, o que me incomoda na história é a doença do personagem principal, que em nenhum momento é abordada diretamente. As cenas engraçadas geralmente são resultado do autismo dele e isso para mim não teve o alcance cômico intencionado. Queria muito conversar com alguém que tenha um parente próximo com Síndrome de Asperger e que tenha lido o livro para saber se alguma parte da história chegou até a ser um pouco ofensiva.

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A Pequena Guerreira: o livro que te inspira

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Enquanto eu fazia maratona de Gilmore Girls na minha adolescência, Samia corria…

Apesar da guerra, Samia corria.

Corria de burca, de hijab, descalça ou de estômago vazio. Ela fazia musculação com garrafas de refrigerante cheias de areia e tijolos largados no canto da obra, corria pelo seu pai, seu amigo, seus sonhos e por todas as mulheres da Somália. O objetivo dela era através do esporte liderar a libertação das mulheres somalis da escravidão e foi por isso que ganhou o apelido de pequena guerreira.

Sua história é impressionante. O romance baseado na vida da atleta é comovente e não fui capaz de me distanciar da história como muitos leitores profissionais fazem, chorei e tive até crise de ansiedade tentando imaginar o que eu faria se estivesse no lugar da menina.

“A garotinha de dezessete anos magra feito um prego que vem de um país em guerra, sem um campo e sem um treinador, que luta com todas as suas forças e chega por último. Uma história perfeita para os espíritos ocidentais, entendi naquele dia.”

O livro começa com ela ainda bem crinça, apenas 8 anos de idade, brincando de correr com seu melhor amigo, o Ali. À medida que ela vai crescendo o esporte vai ganhando cada vez mais importância para ela e Ali, que não ligava tanto assim para isso, passa a se auto-intitular treinador. Porém, o afastamento dos dois é inevitável, a Somalia vive uma guerra civil com a liderança de um grupo terrorista chamado Al-Shabab e os dois personagens pertenciam a grupos étnicos distintos.

Samia continuou a treinar sozinha e sem patrocínio, sem nenhuma ajuda, na verdade, e mesmo assim chegou nas Olimpíadas da China. Com isso ganhou alguma fama e a possibilidade de se mudar para um lugar melhor, mas nada a fazia ir embora da Somália, ela tinha o objetivo libertar seu povo e ir para longe não ajudaria em nada. Portanto ela continuou vivendo na miséria, até que as regras impostas pelo grupo extremista ficaram mais rigorosas e ela se viu dividida entre a família e o esporte.

“O cinema criava e alimentava sonhos, e por isso foi fechado.”

Então ela resolveu fazer A viagem, se colocando nas mãos de traficantes de pessoas que prometiam um futuro melhor. Futuro que muitos não chegaram a alcançar, inclusive a própria Samia — o que está escrito na orelha do livro, então não é nenhum segredo. O momento de fuga dela é o mais intenso da história, penso que eu teria sentado no chão e chorado até toda a água do meu corpo ser drenada. Mas, honestamente, posso imaginar o que for, nunca vou saber de fato o que fazer diante da possibilidade iminente da morte até estar nessa situação. Talvez eu seja mais forte do que imagino, ou talvez eu pense em Samia e consiga retirar forças de onde achava que não tinha mais.

“Um minuto parece pouco, mas naquelas condições se torna eterno. Dentro de um minuto você faz caber tudo de que precisa. Aprende que um minuto pode salvar sua vida. Não precisa de mais.”

Eu não sei o que dizer mais sobre A Pequena Guerreira, apenas sentir. Por mais clichê que isso pareça é pura verdade. Assim que li as últimas palavras fechei o livro no colo e encostei a cabeça no sofá, para deixar tudo aquilo que estava dentro de mim se acalmar enquanto lágrimas escorriam pelo meu rosto — bem, elas não escorriam muito, pois meu cachorro odeia me ver chorando e começa a me lamber incessantemente, mas deu para entender o que eu queria demonstrar.

 

Projeto GoT — Matando Saudade

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GoT I(imagem via BagoGames)

Vocês já sentiram necessidade de mais? Preciso ler mais sobre essa história? Preciso conhecer mais esse personagem? Eu simplesmente preciso de mais! No entanto, nem sempre temos a possibilidade de suprir nossas necessidades (e carências) literárias. Desde o começo dessa nova temporada de Game of Thrones eu tenho sentido essa urgência de ir além daquilo que eu já tinha. Sempre depois de cada episódio eu vou ler comentários em fóruns e confabular teorias, mas de fato ainda não tinha lido os livros.

Agora essa necessidade se tornou irredutível, mesmo lendo postagens, conversando sobre a trama e vendo as fotos de todos os atores em suas redes sociais. Então decidi que era o momento certo para eu dar um passo para trás, na verdade 5 passos, e começar a leitura de toda a saga desde o seu princípio. Depois de comprar o primeiro volume, fui contar para meu irmãozinho sobre meu novo projeto e ele fez uma pergunta típica de um não leitor:

— Mas você vai conseguir ler um livro que você já sabe a história?

Bem, para começar não sei exatamente a história, já que a série diverge em vários pontos dos livros. E segundo lugar, se eu tivesse esse problema não teria lido On The Road do Kerouac 5 vezes ou Harry Potter duas.

Prometi para mim mesma que só leria 50 páginas por dia, dessa forma daria continuidade a outras leituras do blog. Mas não deu muito certo, já que na primeira vez que sentei para ler fui até a página 150. Gente, vale muito a pena! Deixo aqui minhas primeiras impressões:

  1. Foi muito bom voltar a saber sobre o Robb Stark, eu amo esse personagem e adorei interagir mais com ele.
  2. Na série sabemos que Jon e Arya eram próximos, mas não tão unidos como são nos livros, foi uma delícia ler sobre a interação deles.
  3. As lembranças de Ned em relação a guerra e aos parentes já falecidos. Ele vive remoendo o passado e acredito que é através de suas lembranças que saberei mais sobre os membros da família que estão mortos.
  4. A descrição real de cada personagem. Não que o elenco não tenha sido perfeito e não atue com maestria, mas a aparência deles no livro importa muito para correlacionar famílias e parentes, um bom exemplo disso é Tyrion, o anão.
  5. Entender como os nortenhos sobrevivem ao frio intenso. Foi fundamental para minha compreensão saber que Winterfell foi construído por cima de águas termais e que, por exemplo, por dentro das paredes do quarto de Catelyn corriam águas quentes e por isso o aposento dela era um refúgio do frio das neves de verão.

Só que nem tudo são flores e algumas coisas me chatearam na edição que comprei. Pensei que um livro tão amplamente divulgado e conhecido, traduzido há algum tempo e já na 4º edição (pelo menos no meu exemplar) ainda teria tantos errinhos de tradução e digitação. Para mim foi tão claro em português que uma fala do Tyrion estava com erro de tradução que peguei a edição em inglês da minha mãe para conferir e eu estava certa; e sinceramente essa fala fica muito sem sentido do jeito que ela está na nossa língua. Enfim, nada disso estraga a história, que é fantástica mesmo para quem já viu a série, mas chateiam aqueles leitores mais sensíveis, principalmente aos que trabalham ou sempre sonharam em trabalhar no mercado editorial.

Nazismo latino americano

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Sempre me incomodou o fato de que, generalizando um pouco, o patriotismo do brasileiro surge de 4 em 4 anos e tem a duração de uma copa do mundo. Enquanto isso, nos Estados Unidos, por exemplo, muitas casas estendem a bandeira do país nas janelas diariamente, os filmes locais geralmente possuem a bandeira hasteada em alguma cena e nos pontos turísticos o emblema do sonho americano é vendido a preços acessíveis. No entanto, sabemos muito bem que o excessivo amor à nação é capaz de fazer, afinal, nada por melhor e mais bem-intencionado que seja é saudável quando levado ao extremo.

A autora Isabel Moustakas ilustrou bem a ideia fascista verde e amarela em seu livro Esta Terra Selvagem. O texto é por vezes revoltante, fiquei com raiva, nojo, desgosto da narrativa, mas impossível não dizer que ela é instigante e que li de capa a capa, assim, de uma vez só de tão entranhada que eu estava na leitura.

O livro é escrito em primeira pessoa e a história é contada por João, um jornalista do Estadão que conseguiu uma entrevista exclusiva com Martha, vítima de um sequestro asqueroso. Ela, com apenas 16 anos, parecia que já tinha passado pelo inferno e assim que termina de contar, assustadoramente calma, para ele tudo que lhe tinha acontecido ela se mata. Após esse acontecimento João recebe o diário da garota e através das anotações feitas nele que o jornalista vai conseguindo cada vez mais pistas do que está acontecendo. O sequestro de Martha tinha sido apenas um aviso e ela viveu justamente para poder espalhar a notícia de que o pior ainda estaria para acontecer.

Realmente, os crimes ficaram cada vez mais bárbaros e a gangue que os cometiam usava coturnos com cadarços verde e amarelo, camisa branca e cabeça raspada. A intenção deles era limpar o Brasil de tudo que consideravam ruim: estrangeiros, nordestinos, homossexuais e boêmios. E João estava mais envolvido com estes radicais do que sequer imaginava.

“Então, Ágata sugeriu que ele procurasse a polícia. Juro. Ele arregalou os olhos, e acho que eu também. Vai lá com essa sua careca, ela desafiou, essa camiseta suja, esses coturno, esse discurso de bosta. Vai lá, vai. Tomara que o escrivão seja cearense. Depois volta aqui e me conta no que deu.”

*post feito em parceria com o blog Um Metro e Meio de Livros

Uma Selfie com Lenin

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Em seu novo livro, Uma Selfie com Lenin, Fernando Molica fala de amor e política. Afinal, seu personagem principal é um jornalista de meia idade que está fugindo do Rio de Janeiro após uma confusão na assessoria de políticos para qual trabalhava. Por isso a história se passa através de uma carta que ele está escrevendo para Eloísa, sua ex-namorada e ex-chefe.

Ao tentar relatar todo o mal entendido que o fez embarcar num avião para bem longe do Brasil, o personagem faz uma reflexão de toda sua trajetória de vida. Desde quando era um jornalista mal pago e cheio de ideologias até o momento da história, rico e completamente destruído.

“Foi graças a você quem vim parar aqui, que posso estar aqui. Se não fosse você, eu estaria aí, fazendo minhas matérias, enchendo seus clientes de porrada, ajudando você a manter o faturamento de sua empresa.”

Eu entendo que o livro é um romance, uma ficção, mas ao relatar as manifestações de 2013 e 2014 a história tange o real. Dessa forma, quando li a descrição do personagem sobre roubo de dinheiro em hospitais fiquei enjoada. É desumano e infelizmente não posso afirmar, nem para mim mesma, que é só um livro.

“Os prédios imensos, cheirando a clorofórmio e mijo, não passavam de grandes lavanderias, de centros de distribuição de verbas, deveriam ser administrados pelo banco central, não pela secretaria de saúde. Por lá, pouco se cura, muito se rouba, nada se perde. Perdem-se vidas, mas isso não contava na nossa matemática.”

Esse autor me deixou como um ressaca literária moral/filosófica horrível. Penso no egoísmo exacerbado da atualidade, no amor unilateral focado apenas no prazer, na política e no Brasil que vivo atualmente. Sei que muitos vão achar cansativo o assunto, mas creio que essa obra deveria entrar para o currículo escolar básico de literatura. Assim talvez meu filho no futuro consiga me explicar tudo o que está acontecendo hoje.

*post feito em parceria com o blog Literasutra

 

Em prol das tirinhas

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Minha concentração falha de vez em quando e fico períodos com muita dificuldade de ler. Obviamente tento forçar um pouco e consigo manter as leituras em dia, mas sem aquele prazer que tenho em outros momentos.

Para me ajudar nessa fase, resolvi ler um livro de tirinhas da Sarah Andersen. Conheci sua personagem pelo compartilhamento de alguém no Facebook e a identificação foi instantânea. Vejam só (eu mesma editei para mostrar):

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Devorei o livro Adulthood is a Mtyh (A Maioridade é um Mito — na minha tradução, talvez eu até colocasse A Maturidade é um Mito, pois tem mais a ver com o livro). E Acredito que seria muito bom se fosse lançado aqui. Afinal, além de ter me identificado com quase todas as situações expostas, eu amo tirinhas. Se, por exemplo, Calvin e Haroldo é para crianças então realmente a maturidade é um mito, pois são meus personagens favoritos.

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(imagem retirada do site: http://incrivel.club)

 

Os Exilados de Montparnasse

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IMG_1092 (1)Após a primeira guerra mundial temos o primeiro movimento contracultural do século XX, a Geração Perdida. O termo cunhado primeiramente por Gertrude Stein logo se popularizou através de Hemingway, e foi utilizado para caracterizar um grupo de quase 250 escritores, poetas, diretores e editores que foram para Paris em busca de liberdade de expressão.

“Não é o que a França lhe dá, mas o que ela não lhe tira”

No livro Os Exilados de Montparnasse o autor Jean-Paul Caracalla nos dá uma visão de como foi Paris naquele pós primeira guerra. Afinal, o mundo boêmio não reagiu bem ao que tinha acontecido, as atrocidades do conflito foram geradas a partir de uma lógica puritana que não fazia o menor sentido para aqueles artistas, sendo assim somente seu extremo oposto poderia salvar a sanidade daqueles que sobreviveram. É nesse momento que surge na arte o movimento conhecido como Dadaísmo e podemos dizer que seu equivalente na literatura é a Geração perdida.

Durante o livro vamos nos deparar com personagens já conhecidos como Pablo Picasso, James Joyce, Ernest Hemingway, Scott Fitzgerald, e alguns não tão conhecidos como Alice Toklas, Sylvia Beach e Cole Porter. Eu achei muito interessante ler sobre esses escritores e artistas hoje tão consagrados ainda lutando por seus lugares no mundo.

“Scott (Fitzgerald) oferece a Gertrude e a Alice um exemplar de Gatsby. Logo no dia 20, Gertrude lhe escreve de sua casa de Belley, no Ain: ‘Lemos sua obra; é um bom livro’. Também ela gosta daquele modo de escrever frases simples acessíveis a todos.”

O tema me interessa muito e por isso a leitura para mim foi incrível, é a descrição da vivência de grandes personalidades em Paris. Conhecer um pouco do impecável James Joyce, a quem você não podia se referir sem o pronome senhor na frente do nome, mas que teve o próprio livro, Ulisses, contrabandeado para a América em capas falsas de Shakespeare por ser considerado obsceno.

Além disso, depois da fama conhecemos um pouco das traições e egos tão difíceis de lidar desses autores. Joyce que traiu a amiga e a primeira pessoa a acreditar em sua obra, Hemingway falando mal dos que antes considerava amigos e outras intrigas com nomes de peso.

“Joyce, que ainda recentemente, vituperava contra os indelicados que exploravam sua obra sem pudor e na ilegalidade, dá, por sua vez, um exemplo lamentável de desvio em proveito próprio dos frutos de um trabalho coletivo.”

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(imagem via Pixabay)

Gênero erótico

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Estou naquele período entre livros: tento ler e nada me pega. Isso geralmente acontece depois de uma leitura muito boa, porque demoro a me desapegar da história e durante esse processo não consigo me concentrar em outros enredos. Por isso, já passei duas tardes em livrarias lendo primeiros capítulos e passei alguns dias baixando samples, amostras grátis, de livros na Amazon. Ontem me aventurei pela seção de livros eróticos, não é uma parte que costumo utilizar para procurar novas leituras, mas não tenho nada contra.

Enfim, achei um livro chamado Trailer Park Virgin, da Alexa Riley, aparentemente bem conhecida pelos fãs desse gênero. Gostei da capa e na verdade associei a palavra Virgin à gravadora britânica, e não ao que realmente significa — fui ingênua eu sei.

Lendo a sinopse a própria autora me disse para eu não gastar meu dinheiro com esse trabalho dela: é sujo, baixo e obsceno. Os comentários diziam a mesma coisa, “não leia”, mas estavam dando a nota 5 estrelas para a história. Além disso, uma pessoa comentou que o livro é perfeito para a leitura entre momentos, ou seja, justamente o que estou passando.

Então, como uma criança mimada eu fiz justamente o que falaram tanto para eu não fazer. Até porque só da autora me dizer para eu não comprar já tinha me dado uma vontade enorme de fazer isso.

A história não tem história. Enredo, trama ou construção de personagens passaram bem longe da cabeça da Alexa Riley, aliás a única coisa que estava na cabeça dela no momento que ela escreveu o livro era sexo.

Para quem é realmente fã do gênero pode ser uma leitura divertida, para mim foi bem legal conseguir ler algumas páginas sem sentir o tédio que eu estou sentindo com outros livros. Afinal, de todos os defeitos que o livro tem, entediante definitivamente ele não é.

Se você é curioso que nem eu, segue abaixo a “não” história do livro:

Rick adotou Gracie e Ty. Então, nenhum deles possui uma relação de parentesco de sangue, apenas de convívio. Eles moram num parque de casas trailers, em uma cidade minúscula onde todo mundo trabalha na mesma fábrica e bebe no mesmo bar. Quando Gracie faz 18 anos ela desperta a atenção dos homens no local, principalmente daqueles dois que moram com ela.

Brooklyn — O que o filme não mostrou

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Há um tempo comprei o livro Brooklyn na livraria da Travessa, simplesmente porque gostei do nome e de ser um livro de época. A história é simples, mas a escrita leve e graciosa fez com que eu devorasse o livro ao invés de simplesmente ler. Não lembro se li em 1, 2 ou mais dias, isso não vem ao caso. O importante é que não lembro de sentir o tempo passar através de sua leitura fluida e extremamente envolvente.

Agora com o começo da temporada de premiações de cinema, Tv e música descobri que o livro tinha virado filme e assim que pude corri para assistir a história na telona. O longa é muito bom, talvez não tão envolvente quanto o livro, mas muito bem executado.

Como é de se esperar há diferenças entre as duas versões e escrevi alguns pontos do livro que senti falta quando assisti o filme:

1 – Família

No filme parece que a Eilis só tem a Rose e a Mãe como parte da família, no entanto no livro ela tem outros três irmãos, que moram na Inglaterra. Acho isso muito importante principalmente por causa do final do filme, que não vou falar aqui porque odiaria estragar essa história para alguém.

2 – Trabalho

No trabalho, na loja Bartocci’s, ela não lida direto com a srta. Bartocci, e sim com uma supervisora chamada srta. Fortini, que era bastante dura, mas ao mesmo tempo bem compreensiva. Tanto que quando Eilis conta para a srta. Fortini que foi chamada para ir à praia, a chefe lhe diz que tem uma amiga que trabalha numa loja de roupas de banho que são muito melhores que os da loja em que elas trabalham. Assim, a supervisora avisa que vai receber uns trajes para testes e que Eilis poderia experimentá-los. Nesse momento Eilis de fato é apalpada pela chefe, mas não pela dona da loja como aparece no filme e sim pela supervisora.

A srta. Bartocci aprece em cena no livro em um momento muito difícil para Eilis, que é quando ela recebe as primeiras cartas de casa e fica muito triste. Nessa parte a srta. Fortini repara nos olhos vazios e melancólicos de Eilis e pede para que ela saia da loja e vá para área dos funcionários. Depois de um tempo esperando, a srta. Fortini aparece com um sanduíche para Eilis e em seguida a srta. Bartocci aparece com o padre Flood para conversar com a saudosa irlandesa.

Por que achei isso relevante? Primeiro para dizer que a srta. Bartocci era uma figura de admiração para Eilis, que ela via como um ser superior, mas que quando necessário soube lhe trazer conforto. E em segundo lugar, porque o filme não mostrou a supervisora de Eilis, que foi muito importante para aumentar a confiança dela no trabalho.

3 – Meias de Náilon

As meias de náilon da Bartocci’s realmente são assunto no jantar da pensão, mas isso pouco importa. O que é realmente relevante é que as tais meias da loja são famosas pela qualidade. Quando as pessoas negras começam a frequentar o Brooklyn também o fato não passa desapercebido, com isso a Bartocci’s pretende receber de braços abertos qualquer pessoa de qualquer cor que pretenda entrar na loja e fiquei muito triste do filme não abordar esse tema tão importante até hoje.

Com a chegada dos novos clientes a loja passa a vender meias de variadas cores que combinariam com os diferentes tons de pele, por mais capitalista que isso seja, achei legal a srta. Bartocci se preocupar em diversificar seus produtos para as diferentes tonalidades de pele. Além disso, Eilis como uma boa vendedora e de bastante confiança da srta. Fortini será encarregada, junto com uma outra funcionária, das novas clientes e por isso eu escrevi no item anterior que a supervisora é importante no que diz respeito a auto-confiança da personagem principal.

*Siga em frente com a leitura apenas se você viu o filme ou não se importa com spoliers*

4 – Retorno ao lar

Eilis volta para Irlanda e se envolve com Jim. O que o filme não mostra é que Eilis e Jim já se conheciam e que ele havia desprezado a companhia dela num baile anteriormente; isso deixou Eilis magoada e irritada. Depois de sua temporada na América, Eilis volta deslumbrante e super confiante para sua terra natal, o que desperta a curiosidade de todos, inclusive de Jim. Acho que num primeiro momento Eilis se deixa levar pela sedução de Jim devido a uma questão de ego, ele que antes havia desdenhado de sua companhia agora olhava para ela cheio de desejo. Depois creio que ela realmente se envolveu com ele. A gente perdoa Jim pelo mal comportamento com Eilis no começo do livro quando descobrimos que naquele momento ele tinha acabado de perder a noiva com quem havia sonhado em se casar.

Ao ser abordada pela srta. Kelly, que é bem pior no livro, infelizmente a Eilis literária não é tão confiante quanto a Eilis cinematográfica. Ela sai da casa da antiga chefe correndo e remarca sua volta para os Estados Unidos. O diálogo entre mãe e filha é bem parecido em ambas versões, mas a despedida de Jim não. No filme Eilis deixa uma carta para o suposto amante, no livro ela vai embora sem dizer nada, mas ela cogita sim contar para ele sobre Tony e conseguir apoio em relação a um possível divórcio, isso nos mostra uma Eilis realmente apaixonada pelo irlandês e não apenas brincando com os sentimentos dele.

No entanto o filme nos dá um final mais fechado, mostra Eilis feliz ao retornar para seu italiano enquanto o livro termina com ela sentada no trem começando sua jornada de volta e apenas imaginando como seria a reação de Jim ao saber que ela foi embora. Eu, particularmente, gosto muito do Tony e gostei de vê-los juntos novamente no final do filme.

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Ligeiramente Casados – Mary Balogh

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Eu gosto de ter uma leitura variada, então quando ganhei de natal um vale presente Saraiva comprei livros de diferentes gêneros. Esse em particular me lembrou Julia Quinn, como não li nada dela, mas ouço falar muito da autora resolvi experimentar o gênero. Não comprei um livro da série Os Bridgertons, pois queria trazer uma leitura diferente aqui pro blog.

O que me fez ler este livro foi justamente meu lado jornalista: “Quem?”, “O que?”, “Onde?”, “Quando?”, “Por quê?” e “Como?”.

— Como assim ligeiramente casados?
— Por que um coronel vai contra a família nobre dele por causa de uma promessa feita a um simples capitão?
— O que é um casamento de conveniência?
— Em que momento essa mulher linda, devota, caridosa, paciente, organizada e nem um pouco desastrada vai perder as estribeiras?

No livro a dama em apuros é salva pelo forte e impotente coronel, mas é tudo uma conveniência, um casamento de fachada para salvá-la dos infortúnios da vida. Ela rejeita a ajuda em um primeiro momento, é claro, porque se sente capaz de resolver tudo sozinha, só acaba cedendo depois.

O livro distrai, o tempo passou rápido enquanto minha leitura fluía por suas páginas. Mas me irritei com o texto às vezes óbvio demais, muita enrolação e sem nenhum conteúdo realmente histórico, a não ser a data do começo do livro que indica as roupas e o cenário que devemos imaginar.