Arquivo mensal: março 2016

Reflexionando

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Em prol das tirinhas

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Minha concentração falha de vez em quando e fico períodos com muita dificuldade de ler. Obviamente tento forçar um pouco e consigo manter as leituras em dia, mas sem aquele prazer que tenho em outros momentos.

Para me ajudar nessa fase, resolvi ler um livro de tirinhas da Sarah Andersen. Conheci sua personagem pelo compartilhamento de alguém no Facebook e a identificação foi instantânea. Vejam só (eu mesma editei para mostrar):

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Devorei o livro Adulthood is a Mtyh (A Maioridade é um Mito — na minha tradução, talvez eu até colocasse A Maturidade é um Mito, pois tem mais a ver com o livro). E Acredito que seria muito bom se fosse lançado aqui. Afinal, além de ter me identificado com quase todas as situações expostas, eu amo tirinhas. Se, por exemplo, Calvin e Haroldo é para crianças então realmente a maturidade é um mito, pois são meus personagens favoritos.

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(imagem retirada do site: http://incrivel.club)

 

Eternamente Amado

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Jorge Amado surgiu na minha vida na sétima série (atual oitava?), porque Capitães da Areia ia ser o tema da última avaliação na escola. Não sei até hoje o que me fez realmente ler esse livro, já que eu raramente lia nessa época. Porém quatro dias antes da prova encontrei um exemplar antigo na casa do meu avô e resolvi folhear o livro.

Quando fui para escola no dia do exame final eu já conhecia a história de cor, eu tinha virado as últimas noites debruçada nas páginas do livro, li a obra inteira duas vezes e ainda consegui voltar para poder apreciar de novo minhas partes favoritas. Foi meu primeiro dez (na vida).

Depois desse dia passei a me interessar mais pela aula de literatura, demorei um tempo para me acostumar com a idéia de realmente gostar dos livros. Por isso, tinha o péssimo hábito de dividir o número mínimo de páginas que eu precisaria ler por dia, a fim de manter a nota alta na matéria. Mas raramente eu seguia meus próprios cálculos, até porque números nunca foram meu forte, então, eu acabava lendo muito mais do que o julgado necessário e chegava ao fim da história semanas antes da data prevista.

Anos depois, já leitora assídua, Carlos Ruiz Zafón explicou com maestria em seu A Sombra do Vento o que a leitura de Capitães foi para mim:

“Certa ocasião ouvi um cliente habitual da livraria de meu pai comentar que poucas coisas marcam tanto um leitor como o primeiro livro que realmente abre caminho ao seu coração. As primeiras imagens, o eco dessas palavras que pensamos ter deixado para trás, nos acompanham por toda a vida e esculpem um palácio em nossa memória ao qual mais cedo ou mais tarde não importa o livro que leiamos, os mundos que descubramos, o quanto aprendemos ou nos esqueçamos, iremos retornar.”

Então quero saber qual foi o livro que abriu caminhos para os vossos corações?

Os Exilados de Montparnasse

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IMG_1092 (1)Após a primeira guerra mundial temos o primeiro movimento contracultural do século XX, a Geração Perdida. O termo cunhado primeiramente por Gertrude Stein logo se popularizou através de Hemingway, e foi utilizado para caracterizar um grupo de quase 250 escritores, poetas, diretores e editores que foram para Paris em busca de liberdade de expressão.

“Não é o que a França lhe dá, mas o que ela não lhe tira”

No livro Os Exilados de Montparnasse o autor Jean-Paul Caracalla nos dá uma visão de como foi Paris naquele pós primeira guerra. Afinal, o mundo boêmio não reagiu bem ao que tinha acontecido, as atrocidades do conflito foram geradas a partir de uma lógica puritana que não fazia o menor sentido para aqueles artistas, sendo assim somente seu extremo oposto poderia salvar a sanidade daqueles que sobreviveram. É nesse momento que surge na arte o movimento conhecido como Dadaísmo e podemos dizer que seu equivalente na literatura é a Geração perdida.

Durante o livro vamos nos deparar com personagens já conhecidos como Pablo Picasso, James Joyce, Ernest Hemingway, Scott Fitzgerald, e alguns não tão conhecidos como Alice Toklas, Sylvia Beach e Cole Porter. Eu achei muito interessante ler sobre esses escritores e artistas hoje tão consagrados ainda lutando por seus lugares no mundo.

“Scott (Fitzgerald) oferece a Gertrude e a Alice um exemplar de Gatsby. Logo no dia 20, Gertrude lhe escreve de sua casa de Belley, no Ain: ‘Lemos sua obra; é um bom livro’. Também ela gosta daquele modo de escrever frases simples acessíveis a todos.”

O tema me interessa muito e por isso a leitura para mim foi incrível, é a descrição da vivência de grandes personalidades em Paris. Conhecer um pouco do impecável James Joyce, a quem você não podia se referir sem o pronome senhor na frente do nome, mas que teve o próprio livro, Ulisses, contrabandeado para a América em capas falsas de Shakespeare por ser considerado obsceno.

Além disso, depois da fama conhecemos um pouco das traições e egos tão difíceis de lidar desses autores. Joyce que traiu a amiga e a primeira pessoa a acreditar em sua obra, Hemingway falando mal dos que antes considerava amigos e outras intrigas com nomes de peso.

“Joyce, que ainda recentemente, vituperava contra os indelicados que exploravam sua obra sem pudor e na ilegalidade, dá, por sua vez, um exemplo lamentável de desvio em proveito próprio dos frutos de um trabalho coletivo.”

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(imagem via Pixabay)