O Encontro Marcado

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O Encontro Marcado está dividido em duas partes: A Procura e O Encontro e conta a história de Eduardo Marciano, também considerado o alterego de Fernando Sabino.

Conhecemos Eduardo ainda menino em Belo Horizonte, na primeira parte do livro, ele faz chantagem emocional em seus pais chorando e arranhando o rosto até sair sangue, assim sempre conseguia o que queria. Sua primeira perda foi quando assaram para um almoço de domingo Eduarda, a galinha de estimação, e entre lágrimas e soluços se deliciou com o prato. Já quando estava um pouco mais velho perdeu seu amigo Jadir, com quem na noite anterior à morte conversava sem saber o que viria a acontecer:

 “(…) eu, se tivesse de suicidar, antes havia de fazer uma porção de coisas, um estrago louco. Matava o presidente da República, qualquer coisa assim. Morria, mas passava para a história.”

Um tempo depois, ao se formar na escola, Eduardo combina com seus amigos que se encontrariam ali novamente após 15 anos, mesmo que a vida já tivesse feito com que não se falassem mais. Após formado ele vai trabalhar na repartição pública onde conhece a carioca Antonieta, filha do ministro. O romance passado entre as duas cidades brasileiras acaba por ter o apoio do pai da menina e aos 20 anos de idade os dois se casam. Eduardo se muda para o Rio de Janeiro onde passa a trabalhar em um emprego conseguido pelo sogro.

Já adulto e casado o personagem passa a questionar todas as suas decisões, havia se afastado de tudo que antes lhe era comum, sua cidade, sua família, seus amigos. Nesse momento de questionamento se lembra do velho pai reclamando que o filho fazia tudo depressa demais, falava rápido e não tinha nem tempo para pensar. Eduardo concluiu que essa ganância que tinha por viver que antes lhe fazia diferente agora o torturava. Esse momento de interiorização do personagem marca o final da primeira parte.

“Pois então o que é que estou fazendo aqui, sozinho? Não sou um homem? um marido, não sou? Há uma fresta em minha alma por onde a substância do que sou está sempre se escapando mas não vejo onde nem por quê”.

Eduardo não consegue se livrar de seu egoísmo exagerado, deixa sempre a esposa e os compromissos com ela por último, primeiro a bebida e os amigos. Para ele o álcool era uma espécie de anestésico para aliviar a dor de seus tormentos e depressão diante de suas dúvidas. Tudo nele mostra uma incapacidade de lidar com os fatos da vida, quer ser escritor, mas nunca consegue escrever e acaba descontando em Antonieta. Ela passa a ser o fator de harmonia do casamento, sempre tentando ser compreensiva com o marido. À medida que o tempo passa parecem apenas se afastar mais um do outro. Essa separação espiritual se torna física com Gerlane, com quem Eduardo passa a ter um romance escondido.

O tempo todo a vida de Eduardo é rodeada pela morte começando com Eduarda, depois seu amigo e indo até seu filho, ainda no ventre de Antonieta. Sentiu-se culpado, acabou carregando o peso do aborto em si, decorrência da vida desleixada que levava. Um dia Antonieta pediu carinhosamente para que o marido ficasse em casa, mas ele nem ouviu seu pedido, saiu sem olhar para trás, e, ao voltar, a casa estava esvaziada.

Após isso ele viaja para sua cidade natal com intuito de visitar a mãe, que não via fazia tempo. Durante sua estadia se lembrou do encontro marcado, mas foi o único que cumpriu a promessa. Já não falava mais com os amigos e na verdade nem se lembrava ao certo de com quem estava quando combinaram o reencontro.

Ao voltar para o Rio, Eduardo começa um caso com a vizinha Neusa, que também engravida e posteriormente aborta. Com tudo que acontece ele se cansa dessa velha vida que leva e decide viajar. Pede demissão mesmo sabendo que estava prestes a ser promovido e larga tudo.

Seguindo seu novo caminho, ele para em frente a um convento e pensa em subir de joelhos, para que assim talvez sua sorte mude. Na porta, lá no alto da ladeira, avistou a figura de um monge acenando para ele. Era um conhecido, um grande amigo perdido no tempo, no meio da pressa e agressividade de Eduardo por viver havia se esquecido daquela pessoa de quem ele gostava tanto. Assim, rindo muito, Eduardo sobe a ladeira calmamente e abraça o monge, dando início a uma nova fase em sua vida, talvez mais calma e serena, mas ele já não se importa, nem com o que está por acontecer a partir desse encontro.

 

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