Texto da Angústia

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Um dia ela socou o espelho, apenas porque não podia bater em si mesma. O sangue jorrando lhe deu alívio, teve a sensação de que com aquele líquido vermelho escorria também gordura.

Negou fazer um curativo, ficou apenas ali parada vendo a pia ser tingida de vermelho, e como se com a saída do sangue ficassem apenas hormônios, começou a chorar. Não de dor, mas de alguma outra coisa…

Era gorda, muito gorda, apesar de ter apenas 50 quilos. Já havia deixado de comer, só não parava de beber porque a vida era dura demais. Mas, a medida que o estômago ficava cada vez mais vazio era preciso de menos cervejas para ver a realidade pulando da janela. Sendo assim, fazia economia.

Em alguns momentos se sentia fraca, “mas quando foi que tive força?”, ela pensava. Nunca sabia para onde ir. Então apenas seguia, sempre para trás jamais para frente. Desde que o outdoor lhe caíra na cabeça, uma barriga tanquinho de 3 metros ofuscou sua visão, tinha seis anos na época e teve certeza de que dessa forma não se encaixaria.

Uma cicatriz deformava seu peito, e isso parecia ofuscar seus dias, era apenas um defeito, mas sempre latejava por debaixo da blusa. Onde será que isso pararia? Era normal até que decidiram que era maluca!

(imagem via pixabay)

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