A Viajante do Tempo — Diana Gabaldon

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Nana - 01-02-2016

Meus amigos, no geral, sabem que apesar de na minha certidão constar que me chamo Mariana, atendo muito mais por Nana, do que meu nome próprio. (“Mari” é para poucos, já que não curto a sonoridade e nem tenho o costume). No entanto, quando pequena, me chamavam de “princesa”, hábito que minha avó mantém até hoje. Só que na minha cabeça infantil eu era de fato uma. Adicione aí os filmes da Disney e entenda o quanto minha vida ficou prejudicada, amorosamente falando. Sempre sonhei com amores fulminantes e finais felizes, mas quando o filme chegou ao fim a realidade foi outra.

Talvez essa fragilidade de pensamento infantil, que não quis amadurecer em mim, tenha feito com que eu me apaixonasse perdidamente (e quase verdadeiramente) pelo Jamie.

— Quem?

Um escocês das highlands de quase dois metros de altura, maravilhosamente ruivo e bronco. Afinal, não julgue, ele vive em 1743, traja um kilt como quem hoje usa smoking e bebe whisky como água.

“Senti uma estranha sensação de intimidade com aquele jovem escocês estranho, devido em parte, pensei, à terrível história que acabara de me contar e em parte à nossa longa cavalgada na escuridão, os corpos pressionados um contra o outro num silêncio sonolento. Eu não dormira com muitos homens além de meu marido, mas notara que dormir, realmente dormir com alguém, dava aquela sensação de intimidade, como se seus sonhos fluíssem de você para se misturar com os dele e envolvessem a ambos em um manto de conhecimento inconsciente”.

A história de A Viajante do Tempo é contada por Claire Randall, uma enfermeira Sassenach (inglesa) que vive, ou pelo menos vivia, em 1945. Sua fascinação por plantas a leva ao monumento megalítico na colina Craigh na Dun, de onde é transportada da Escócia moderna diretamente para uma highland dividida entre clãs, senhores e senhorios, e ameaça por ingleses.

Com suas roupas nem um pouco apropriadas para a época, ela se vê no meio de uma luta, que acredita ser uma encenação de filme. Sua relutância em aceitar o fato de que já não está mais em sua época é perfeitamente normal. Desacreditada ela embarca na “brincadeira” e a partir disso é destratada, capturada, fugitiva, refém, recapturada e invariavelmente cansada. Ela logo conhece Jamie, que está ferido, e ao cuidar dele acaba ficando apegada. Sua fascinação pelo rapaz é clara, mas ela nunca cede aos seus sentimentos, pois acredita que irá voltar para seu próprio tempo. Até que politicagem, espionagem (ou não) e patriarcalismo a obrigam a se casar com o jovem escocês. Sua jornada então começa: para (tentar) salvar a Escócia, a si mesma e seu amor.

O casal vive sendo perseguido pelo inglês Black Jack Randall, antepassado distante do primeiro marido de Claire, aquele que ficou no futuro.

Primeiro, a fascinação dele parece ser pela viajante do tempo devido a desconfiança que o capitão tem da história que Claire conta. Sua justificativa por estar ali com um sotaque estranho e roupas impróprias não satisfaz a curiosidade. Depois vemos que antes mesmo de Claire surgir, Jamie e Randall já tinham se encontrado. E vamos, aos poucos, entendendo o motivo de tamanho ódio do capitão inglês em relação ao jovem escocês.

“Acho que é como se todo mundo tivesse um pequeno lugar no íntimo, talvez um lugar particular que guardasse para si mesmo. É como uma pequena fortaleza, onde vive sua parte mais pessoal… talvez seja a sua alma, talvez apenas aquela parte que faz de você quem você é e ninguém mais (…) você não mostra a ninguém essa parte de você, normalmente, a menos que às vezes para alguém que você ame muito (…) agora é como… como se minha fortaleza tivesse voado pelos ares com pólvora. Não resta mais nada, a não ser cinzas e uma viga fumegante do telhado, e o ser pequeno e vulnerável que viveu ali um dia está desprotegido a céu aberto, choramingando de medo, tentando esconder-se sob uma lâmina de capim ou em um pedacinho de folha, mas… mas… sem muito sucesso”.

O que me fascina nesse livro é a realidade misturada com a fantasia. Personagens inventados inseridos na história da Escócia, os clãs são reais, seus mottos, suas rixas, a causa Stuart, a batalha de Culloden e meu amor pelo Jamie.

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